- Quem � Tex?
- Quem criou Tex?
- Por que o nome Tex?
- Por que o nome Willer?
- Por que o nome "�guia da Noite"?
- Quando se desenvolvem as aventuras de Tex?
- Onde se desenvolvem as aventuras de Tex?
- As aventuras de Tex s�o do g�nero Western?
- Quem s�o os pards de Tex?
- Quem � Kit Carson?
- Quem � Kit Willer?
- Quem � Jack Tigre?
- Tex j� foi casado?
- Por que Tex parece n�o se interessar por mulheres?
- Como � Tex fisicamente?
- Quais s�o as habilidades de Tex?
- Como Tex tornou-se Ranger?
- Como Tex tornou-se Chefe dos Navajos?
- Como Tex tornou-se agente ind�gena?
- Quem � Dinamite?
- Quem � Sat�?
- Quem s�o os outros amigos de Tex?
- Quem s�o os mais perigosos inimigos de Tex?
- Quem � o maior inimigo de Tex?
- Como � o passado de Tex?
- Tex j� foi ferido?
- Tex j� foi derrotado em um duelo?
- Houve alguma hist�ria que se concluiu sem que Tex conseguisse terminar sua miss�o?
- Existe na s�rie alguma grande incongru�ncia l�gica ou temporal?
- Existe na s�rie alguma grande incongru�ncia hist�rica?
- Como � o relacionamento de Tex com os �ndios?
- Como � o relacionamento de Tex com outras ra�as?
- Como � o relacionamento de Tex com o ex�rcito?
- Por que Tex, sendo um ranger, n�o vive numa corpora��o, sob as ordens de oficiais?
- Qual � a "filosofia" que orienta as a��es de Tex?
- Quem escreve as hist�rias de Tex?
- Quem desenha as hist�rias de Tex?
- Por que tantos desenhistas se, no in�cio, Galep fazia tudo sozinho?
- Qual � a mais longa hist�ria de Tex j� publicada?
- Quantos �lbuns coloridos foram publicados?
- Tex j� se encontrou com outros personagens da Bonelli?
- Como pode a s�rie de Tex ter 50 anos se, com 450 �lbuns mensais, chega-se a 1960?
- Quantas foram as edi��es de Tex?
- Existem hist�rias fora-de-s�rie?
- Por que Tex foi publicado em tiras?
- Quantas s�o as capas de Tex?
- Quem � o capista de Tex?
- De onde os autores tiram a inspira��o?
- O sucesso de Tex foi imediato?
- Por que algumas edi��es antigas t�m datas e pre�os diferentes?
- Por que se fala de censura em Tex?
- Houve algum referendum oficial sobre Tex?
- De onde v�m os proventos de Tex?
- Kit Carson existiu realmente?
- Por que muitas hist�rias dos velhos �lbuns de Tex n�o eram assinadas?
- Quem � Tex?
Tex surge nas bancas em Setembro de 1948. O primeiro quadrinho j� o mostra decidido, pistola em punho: �Por todos os diabos, ser� que ainda est�o nas minhas costas?�. Diferente dos her�is da �poca, Tex � um homem duro. Sem hesita��es, julgando as pessoas com um �nico olhar, n�o � destinado �s crian�as, mas a um p�blico mais maduro. O linguajar de Tex � realmente bastante duro e violento, e nos mostra um Tex (na vers�o n�o-censurada) mais �vil� que o de hoje. Na realidade, Tex � um justiceiro decidido, capaz de agir fora da lei se a situa��o o exigir. Ranger do Texas, chefe dos Navajos, agente ind�gena. Homem temido e respeitado, no seu Oeste � uma lenda, tanto junto aos �ndios quanto aos brancos. (No Brasil, Tex surge nos anos 50, com o nome de Texas Kid)
- Quem criou Tex?
Em 1948, a senhora Tea Bonelli pretende modificar sua linha editorial, criando novas s�ries e parando com as meras reimpress�es de hist�rias antigas, que j� haviam esgotado seu p�blico. Dessa forma, chama a Mil�o o desenhista Aurelio Gallepini (que trabalhava para a Nerbini antes da guerra) e confia os textos a seu ex-marido, G.L.Bonelli, not�vel roteirista. Juntos, ambos criam duas s�ries: Occhio Cupo (s�rie ambientada nos 700 norte-americanos, entre piratas e �ndios), carro-chefe da Editora (e que durou menos de um ano), e Tex, um western como muitos que se fazia naqueles tempos.
- Por que o nome Tex?
G.L.Bonelli, passeando de carro por Mil�o, observou o nome de uma loja, �Tex Moda�, e anotou-o. S� isso :-).
- Por que o nome Willer?
G.L.Bonelli pretendia dar o nome Killer (em ingl�s, �assassino�) a seu personagem. Mas o editor foi contr�rio a um nome assim t�o inconveniente para a �poca, e sugeriu trocar o K por um V: Viller. Da� o nome final Willer.
- Por que o nome ��guia da Noite�?
� o nome ind�gena de Tex. Na hist�ria em que entra em contato com os Navajos pela primeira vez, o ranger usou uma fantasia e uma m�scara negra para n�o ser reconhecido pelos traficantes de armas de Durango. Esse fato inspirou os Navajos, que lhe deram o nome de �guia da Noite.
- Quando se desenvolvem as aventuras de Tex?
No primeiro n�mero da vers�o original G.L.Bonelli faz refer�ncia a 1898. Poucos �lbuns depois se fala da guerra de secess�o. Na verdade, no in�cio a documenta��o era inexistente e se escrevia muito � fantasia. Assim, relegando os primeiros �lbuns que n�o s�o confi�veis para a cronologia de Tex, podemos datar as aventuras de Tex por volta de 1880.
- Onde se desenvolvem as aventuras de Tex?
Tex, depois de alguns n�meros, se torna chefe dos Navajos e fixa resid�ncia no Arizona. Seu principal campo de atua��o devia ser o sudoeste americano, com seus desertos ardentes e pequenos assentamentos de homens brancos. Tex realiza freq�entes incurs�es fora daquela zona, como pelos habituais M�xico e Canad�, sem deixar de lado cidades como S�o Francisco, New Orleans, Washington ou lugares fascinantes como o Yucatan. Ocasionalmente, Tex anda por diversos outros lugares, como Boston, o istmo do Panam�, ou as ilhas perdidas da Melan�sia no Pac�fico ocidental.
- As aventuras de Tex s�o do g�nero Western?
Fundamentalmente, sim. Mas o elemento fant�stico tradicionalmente faz parte da saga de Tex. Lugares perdidos nos quais misteriosamente s�o conservados monstros pr�-hist�ricos, uma cidadela espanhola isolada do mundo e que remonta aos tempos dos conquistadores, vikings emigrados � Am�rica em s�culos precedentes; sem esquecer a magia de Mefisto e a periculosidade dos seguazes do vudu. Tex tamb�m � isso, al�m de outros elementos misteriosos, m�gicos e de fic��o cient�fica que s�o descritos com mais detalhes em outro artigo da uBC (Il mondo fantastico in Tex).
- Quem s�o os pards de Tex?
S�o tr�s e bastante fi�is a Tex: Kit Carson, Kit Willer (seu filho), e Tiger Jack, um �ndio Navajo. (No Brasil, o Navajo recebeu o nome de Jack Tigre)
- Quem � Kit Carson?
Era ranger antes de Tex e � seu mais fiel companheiro de aventuras. Os dois se conhecem no final da terceira hist�ria de Tex, �Na trilha da morte�, inserida no primeiro �lbum gigante. Os dois trabalham em dupla pela primeira vez na 5� aventura de Tex, �O bando de Kid Billy�, inserida no 2� �lbum gigante. Dez anos mais velho que Tex, � retratado na sua maturidade, com os cabelos meio grisalhos (alguns insinuam que s�o brancos), mas ainda vivaz e impetuoso. Carson respeita a autoridade de Tex, que quase sempre toma a decis�o certa e guia o grupo. Naturalmente, se Tex � aprisionado e Carson deve libert�-lo, esse se torna t�o astuto quanto Tex, enquanto que sua presen�a habitualmente (nos �lbuns mais recentes) tem a fun��o de escada c�mica. Ou seja: Carson sabe atirar quase como Tex, sabe trabalhar com os punhos, mas freq�entemente � usado para sublinhar a intelig�ncia de Tex (ao fazer planos ou evitar emboscadas). Tamb�m � retratado como um personagem c�nico e resmung�o, sobretudo quando o quarteto est� completo.
- Quem � Kit Willer?
Filho de Tex e Lilith. O personagem foi introduzido na saga por G.L.Bonelli em plena �poca dos her�is juvenis. Capit�o Miki e O Pequeno Xerife despontavam e parecia que cada s�rie deveria ter seu pequeno protagonista. Repentinamente, G.L.Bonelli delineia Kit como um pequeno Tex que se torna cada vez mais esperto, audaz e corajoso, exatamente como seu ilustre genitor. A um certo ponto, Bonelli preparou uns roteiros para iniciar uma s�rie independente, ligada ao nome de Kit Willer. Por�m, o projeto se perdeu, assim como o pr�prio personagem de Kit, cujas apari��es e participa��o G.L.Bonelli decidiu diminuir at� torn�-lo um mero participante do quarteto. Por outro lado, foi uma atitude pensada: Tex e Kit detinham a mesma mentalidade e n�o havia lugar para dois personagens t�o semelhantes. O redimensionamento do personagem foi completado por Nizzi, que raramente o apresenta, e sempre em pequenos pap�is.
- Quem � Jack Tigre?
Um Navajo que se torna companheiro de Tex na aventura �A quadrilha dos Dalton�, no n.8. Em seguida lhe � confiado custodiar o pequeno Kit Willer, prel�dio de uma grande amizade. De fato, assim como Tex faz dupla com Carson, Kit faz dupla com Tigre. O Navajo � taciturno, quase invis�vel, mas mortal quando necess�rio. Assim era Tigre nas primeiras aventuras. Em seguida sua participa��o foi crescendo e, em algumas ocasi�es, recebeu o m�rito de fazer dupla com Tex, no lugar de Carson. O passado de Tigre foi habilmente descrito por Nizzi na aventura �Orgulho Navajo�.
- Tex j� foi casado?
Sim, com Lilith (L�rio Branco, na vers�o brasileira). Filha de Flecha Vermelha (chefe dos Navajos) e m�e de Kit Willer, aparece somente em algumas aventuras iniciais. Casa-se com Tex n�o por amor, mas apenas para evitar uma guerra com os brancos quando o ranger se encontra preso ao poste de torturas. Ap�s algumas poucas apari��es de Lilith, Carson chega ao povoado Navajo e, de seu di�logo com Tex, deduz-se que havia morrido. G.L.Bonelli muito rapidamente deixa para tr�s esse acontecimento e, por muito tempo, os leitores de Tex se perguntam o que realmente havia acontecido. O pr�prio G.L.Bonelli nos responde com a aventura que se inicia no n.103. Uma dram�tica, violenta e angustiante hist�ria que repassa a morte de Lilith pelos costumeiros especuladores. O ira de Tex se mostra implac�vel at� a conclus�o de sua vingan�a, muitos anos depois da morte da amada esposa.
- Por que Tex parece n�o se interessar por mulheres?
Mis�gino. Essa � a acusa��o. Al�m disso, Tex foi casado por um brev�ssimo tempo com Lilith e depois mais nada. Nada? Nada de nada, aparentemente. Sim, nas primeiras hist�rias as belas mulheres davam o ar de sua gra�a por todos os lados e, freq�entemente aproveitando as peculiaridades de alguns desenhistas, os autores as inseriram aos montes, sem qualquer resultado vis�vel. Imaginem que numa hist�ria de G.L.Bonelli, Tex salva sete garotas �ndias bel�ssimas e agradecidas, e fica sozinho com elas numa montanha: seu �nico pensamento � o de repousar para a batalha do dia seguinte :-). Na verdade, ningu�m sabe o que acontece quando Tex sobre as escadas de um saloon para conversar com a informante da vez. Ou quando entra em um quarto de hotel com uma jovem vi�va. Ningu�m sabe, mas ultimamente alguns roteiristas, recentemente ligados a Tex, nos fazem intuir que algo acontece. Nunca vimos, mas algumas atitudes nos fazem supor que...
- Como � Tex fisicamente?
Segundo Claudio Villa, passa do metro e oitenta e cinco. De f�sico robusto, sua musculatura aumentou em rela��o aos prim�rdios. G.L.Bonelli, um pugilista na juventude, sempre o descreveu como um homem muito forte e �gil, capaz de derrotar com os punhos ou no bra�o-de-ferro o mais tem�vel advers�rio. Para o rosto, Galep inicialmente se inspirou em Gary Cooper, para depois afinar seu vulto, tomando detalhes de outros atores e at� mesmo de ... si pr�prio.
- Quais s�o as habilidades de Tex?
Forte. Sobretudo, Tex � um homenzarr�o, capaz de jogar qualquer um � lona. Al�m disso, � corajoso e veloz, seja com a pistola, seja com o rifle (consegue vencer at� Buffalo Bill). � tamb�m inteligente e astuto, como todos os her�is :-). Dos her�is, traz uma caracter�stica fundamental: nunca morre, no m�ximo � atingido de rasp�o ;-). Tendo sido cowboy, � h�bil com o la�o e com os cavalos selvagens. Carson n�o aposta nunca com ele, a quem considera um verdadeiro �ti��o do inferno� muito sortudo. Por fim, � corajoso e sortudo no p�quer, ainda que tenha uma ligeira predisposi��o a favorecer a sorte, trapaceando despudoradamente. Para fazer triunfar a justi�a, isso e muito mais...
- Como Tex tornou-se Ranger?
Na 3� aventura, �Na trilha da morte�, Marshall, chefe do West Department, oferece a Tex a estrela n.3 do Servi�o Secreto dos Ranger. Ser�o v�rias as passagens nas quais Tex abandona e retoma a estrela, at� a situa��o atual, onde se v� como um esp�rito livre, ranger sim, mas sem obriga��es com a corpora��o.
- Como Tex tornou-se Chefe dos Navajos?
Tendo se casado com Lilith, filha de Flecha Vermelha chefe dos Navajos, Tex �, com a morte desse �ltimo, o candidato natural a empunhar a sagrada lan�a dos chefes Navajos. Sob o comando de Tex, os Navajos prosperam em paz e ser�o bem poucos os que ousar�o atac�-los. Apenas uma vez o comando de Tex � contestado: na aventura �Sinistros press�gios�, Tex n.70/72. Aqui aparece Zhenda, ex-squaw de Flecha Vermelha. Zhenda afirma que teve um filho com Flecha Vermelha e que, de conseq��ncia, o comando caberia a ele: Sagua. A revolta terminar� mal, contudo, porque todos os Navajos das terras quentes (a maioria em compara��o aos poucos das terras altas) permanecem fi�is a �guia da Noite.
- Como Tex tornou-se agente ind�gena?
� um acontecimento que ainda n�o foi contado. Num dos primeiros acontecimentos fundamentais para os Navajos (�Sangue Navajo�, n.51/53), Tex j� � Agente do Governo para a Reserva.
- Quem � Dinamite?
O cavalo de Tex. Aparece desde o primeiro n�mero e por muitas aventuras � um companheiro fiel e insuper�vel. Veloz e resistente, � tamb�m inteligente ao ponto de conseguir �cavar� com as patas em volta de um buraco no qual Tex � sepultado e condenado a um fim horr�vel sob o sol do deserto. A um certo ponto, Tex parar� de dizer �Vamos, Dinamite�, e nunca mais ouviremos falar dele.
- Quem � Sat�?
Um c�o adotado por Tex na mesma aventura em que conhece Lilith. Far� dupla com ele por diversas aventuras. Essa percep��o (do animal �parceiro�) nos recorda um dos quadrinhos preferidos de G.L.Bonelli: Fantasma, na It�lia O Homem Mascarado.
- Quem s�o os outros amigos de Tex?
No M�xico, Montales, sempre envolvido nos peri�dicos golpes de estado locais, e El Morisco, curandeiro, cientista e dedicado � �magia branca� nas horas vagas. No Canad�, Jim Brandon, oficial dos Jaquetas Vermelhas, e Gros Jean, trapper jovial e irasc�vel, envolvido em mil encrencas. Em S�o Francisco, o chefe da pol�cia Tom Devlin. Aqui e ali o desajeitado gigante bonzinho Pat Mac Ryan, sempre encrencado. Entre os Apaches, o irm�o de sangue Cochise, chefe de todas as tribos apaches. E muitos outros, como o xerife de New Orleans ou Mac Parland da Pinkerton. Mas os citados s�o os que mais aparecem na saga do ranger.
- Quem s�o os mais perigosos inimigos de Tex?
Come�am por Mefisto e seu filho Yama que, adentrando no terreno da magia, s�o os que mais fizeram Tex suar para conseguir derrot�-los. Depois, o diab�lico Proteus, o bandido transformista capaz de se disfar�ar de qualquer pessoa. O carniceiro n�o por outra raz�o denominado , colecionador de escalpos. O genial cientista denominado O Mestre. E tantos outros, alguns dos quais se destacaram de modo particular, mesmo aparecendo em uma �nica aventura. Dois exemplos: a quadrilha dos Inocentes que aterrorizava o inteiro Montana com suas apari��es, e o chefe apache Lucero, protagonista de uma extraordin�ria aventura de G.L.Bonelli/Letteri.
- Quem � o maior inimigo de Tex?
Se a pergunta diz respeito a qual categoria Tex mais combate, n�o h� d�vida: especuladores, pol�ticos, atravessadores de todo tipo. Todos aqueles que se fingem respeit�veis mas agem por tr�s dos panos para massacrar uma tribo, encontram Tex no seu caminho. Um Tex que n�o usa meias-palavras nos confrontos com criminosos de luvas brancas. Se, por outro lado, a pergunta diz respeito a qual personagem seja o arqui-inimigo de Tex, tamb�m aqui n�o h� d�vida: Mefisto � o homem. As hist�rias de Tex com Mefisto j� viraram lenda, ainda que h� uns 200 n�meros n�o apare�a nenhuma.
- Como � o passado de Tex?
No primeiro n�mero Tex j� � apresentado �on the road�, preocupado em fugir dos homens do xerife (sabe-se l� por qual motivo) e logo envolvido em outra aventura. No n.83/84, �O passado de Tex�, G.L.Bonelli nos conta como Tex tornou-se o que �. Nosso her�i cresceu num rancho, pr�ximo a Rock Springs, sul do Texas. No rancho trabalhavam ele, seu pai Ken, seu irm�o Sam e Gunny Bill (que, ao lado de Sam Houston, havia participado da guerra contra o M�xico em 1835). Justamente Gunny Bill ensina a Tex todos os truques para atirar velozmente e bem. A vida no rancho transcorre no seu ritmo quotidiano, at� que aparecem os costumeiros ladr�es de gado que se aproveitam da vizinha fronteira com o M�xico. Na ca�a a esses homens surge a diferen�a de car�ter entre Sam e Tex. Um respeita a legalidade e o outro, que respeita apenas a justi�a, n�o hesita em disparar contra os rurales que os seguiam e que haviam matado Gunny Bill. Tex deixa o rancho a seu irm�o e come�a a vida aventurosa que o levar� primeiro a um Rodeio, por cerca de tr�s anos, como domador de broncos e touros brahma, e depois a Calver City (e aqui reencontra Coffin, que hav�amos encontrado justamente no primeiro n�mero da s�rie), para vingar a morte de seu irm�o, muito respeitador das leis para poder viver no mundo de G.L.Bonelli.
Nessa aventura em flashback, que representa em absoluto a estr�ia de Tex do ponto de vista cronol�gico, de se notar que o nosso her�i j� � um atirador superlativo (8 mortos nos confrontos com rurales e ladr�es de gado), um jogador de p�quer impass�vel e capaz de descobrir as trapa�as no primeiro golpe, um pugilista com dinamite nos punhos, um cavaleiro nato, um homem capaz de detectar um culpado � primeira vista. Como �ltima anota��o, � aqui que Tex doma �Dinamite�, que se tornar� por todos os primeiros n�meros o seu cavalo. Sempre como conseq��ncia da iniciativa que o levou a vingar seu irm�o Sam, Tex se torna um fora-da-lei, religando-se ao Tex dos primeiros n�meros.
- Tex j� foi ferido?
In�meras vezes, obviamente! E sempre de rasp�o :-). Sobretudo nas primeiras aventuras, colecionou buracos e curativos. Em seguida, as feridas tornaram-se menos freq�entes. O golpe preferido � aquele (inevitavelmente) de rasp�o na cabe�a. Desse modo, Tex cai e parece morto, mas na verdade est� apenas desmaiado e perfeitamente �ntegro.
- Tex j� foi derrotado em um duelo?
Na hist�ria �Silver Bell�, Tex foi derrotado em duelo pelo mesti�o Ruby Scott. Deve-se dizer, por�m, que Ruby utilizava um coldre especial que lhe permitia usar o colt sem sacar, fazendo o pr�prio coldre girar sobre um pino central. Tex saiu bem machucado do duelo, com um tiro na costela direita e outro, de leve, na t�mpora. Mas a vit�ria de Ruby durou pouco. Rapidamente recuperado das conseq��ncias do confronto, Tex desafia o mesti�o e, dessa vez, � mais r�pido.
- Houve alguma hist�ria que se concluiu sem que Tex conseguisse terminar sua miss�o?
N�o. Em diversas hist�rias, por�m, especialmente naquelas que tratam dos �ndios e seus problemas de conviv�ncia com os brancos, a conclus�o n�o foi exatamente aquela desejada por Tex. De resto, nem mesmo o grande Tex Willer pode mudar o curso da hist�ria!
- Existe na s�rie alguma grande incongru�ncia l�gica ou temporal?
Muito poucas, dado que a s�rie � bem estruturada. Todavia, a mais gritante diz respeito � atividade de Tex durante o per�odo da guerra de secess�o. Nas hist�rias dos anos 50, Tex j� � um ranger que, em companhia do filho e de Kit Carson, ajuda os povos do Oeste, que n�o podiam contar com a ajuda do ex�rcito empenhado na guerra, contra bandidos e �ndios rebeldes. Nos anos 70, ao contr�rio, s�o reinvocados por G.L.Bonelli epis�dios da guerra de secess�o, nos quais Tex, inicialmente um simples cowboy, se v� envolvido pelos acontecimentos b�licos e termina a servi�o do ex�rcito nortista. Nizzi, tempos depois, e Boselli, mais recentemente, retomaram este �mini-fil�o� b�lico, agregando novos epis�dios que trazem como protagonista um Tex atuando como batedor do ex�rcito nortista. Contudo, de se notar que o per�odo inicial, segundo nosso ponto de vista, n�o � representativo para a cronologia de Tex, pois escrito com muita fantasia, sem os cuidados e a documenta��o que � utilizada a seguir.
- Existe na s�rie alguma grande incongru�ncia hist�rica?
Naturalmente que sim, sobretudo numa s�rie assim t�o longa e em cujo in�cio n�o havia documenta��o. Por exemplo: logo no primeiro n�mero se fala de 1898, data totalmente incongruente com o que se seguir�. No n.15 Tex e Carson j� s�o rangers, Kit � um adolescente e estoura a guerra de secess�o. No n.113, ao contr�rio, G.L.Bonelli nos diz que durante a guerra Tex e Carson ainda n�o se conheciam, Kit n�o estava sequer nos pensamentos de Tex e Lilith, que ainda deveriam se encontrar. Na realidade, os primeiros n�meros n�o s�o confi�veis para a cronologia de Tex. Do ponto de vista hist�rico, por�m, deve-se dizer que os Rangers eram do Texas e, com isso, n�o podiam agir no Kansas como fazem Tex e Carson.
Tamb�m os rangers, assim como s�o descritos nas aventuras iniciais, n�o correspondem �queles verdadeiros: uma corpora��o civil (e n�o militar) de pol�cia de fronteira.
No t�tulo da aventura que come�a com o n.131, �Comance� foi escrito sem H.
Na capa e no interior do n.450, foi desenhado o Campid�lio como sendo a Casa Branca.
O personagem de Kit Carson nada tem a ver com o real (veja a pergunta 54).
- Como � o relacionamento de Tex com os �ndios?
De respeito por suas cren�as e h�bitos. Tex teve muitas experi�ncias com os �homens da medicina� ind�genas, envolvidos com o sobrenatural. Tex � respeitado por grande parte das tribos como o �Grande chefe branco dos Navajos�. Como tal, muitas vezes tomou o partido dos �ndios (n�o apenas Navajos), contra os de sua pr�pria ra�a. N�o age assim por for�a de of�cio: sempre analisa, com um olhar :-), de que lado est� o certo e o errado, antes de intervir. Tamb�m importante para Tex � o sagrado Wampum, um cinto de pele, todo desenhado, que lhe foi presenteado por Flecha Vermelha no n.10, p�g. 11. Esse cinto garante a quem o porta boa acolhida e o respeito devido aos chefes, junto a todas as tribos ind�genas da Am�rica do Norte. Muitas vezes Tex usou esse cinto para se apresentar como embaixador junto a tribos hostis ou quase. Trata-se de uma inven��o de fantasia, sem rela��o com a realidade hist�rica.
- Como � o relacionamento de Tex com outras ra�as?
Em geral, sempre trata bem os bons e mal os maus, independente da cor da pele. Por�m, quando se dirige a negros ou chineses, freq�entemente os chama por apelativos do tipo �bola de neve� ou �cara de lim�o�, n�o muito politicamente corretos. Mais que racismo (estranho ao ranger), o atendimento � paternalista: � sempre ele a tomar as r�deas e as atitudes justas, e espera que os outros o sigam. Com rela��o aos chineses, deve-se sublinhar que, na longa saga de Tex, sempre fazem o papel de maus. � parte alguma singela exce��o.
- Como � o relacionamento de Tex com o ex�rcito?
Um relacionamento bastante dif�cil. Tex tem para si que muitos oficiais do ex�rcito s�o meros �esquenta-cadeira�, absolutamente incapazes de p�r em pr�tica qualquer estrat�gia eficaz. Muitos deles est�o, segundo Tex, recheados de regulamentos aprendidos na academia militar de West Point e, assim, despreparados para enfrentar uma situa��o pr�tica, especialmente em casos de guerras ind�genas. Em outros casos, Tex depara com aut�nticos �ca�adores de gl�ria�, personagens ro�dos pela ambi��o e desejosos apenas de construir uma brilhante carreira �s custas da pele dos �ndios. Em ambas as situa��es, Tex sempre consegue ridicularizar esses personagens, demonstrando que um �bom c�rebro� sempre pode ter mais raz�o do que mil teorias aprendidas numa academia militar.
- Por que Tex, sendo um ranger, n�o vive numa corpora��o, sob as ordens de oficiais?
O relacionamento de Tex com as r�gidas estruturas militares sempre foi dif�cil. Muitas vezes, desde o dia em que, em Jill Point, jurou fidelidade na presen�a de Marshal, o chefe do servi�o secreto dos rangers, Tex deixou a corpora��o para tempos depois reassumir. O motivo de fundo sempre foi, al�m da insubordina��o �s r�gidas estruturas, a necessidade de conseguir se mover fora dos v�nculos operacionais que t�m aqueles que pertencem a uma corpora��o militar. Enfim, a situa��o que de fato se instaurou entre Tex e a corpora��o dos rangers � a seguinte: para todos os efeitos, Tex n�o � um ranger mas, como dir�amos hoje, um �consultor� que se encarrega de algumas miss�es dif�ceis em nome da corpora��o. Dessa forma, conserva o distintivo e usa de sua autoridade sempre que se faz necess�rio.
- Qual � a �filosofia� que orienta as a��es de Tex?
Tex parece um prepotente. Certo, trabalha a favor do bem, mas � evidente seu posicionamento de fanfarr�o invenc�vel. Sem d�vida, Tex � um her�i positivo: aquele que opera ao lado do bem contra o mal. Por�m, de forma freq�ente (ultimamente menos que no passado) e com muito prazer, ultrapassa os limites impostos pelas leis, se essas se apresentam como obst�culo � sua meta. Nunca pensou duas vezes (no passado) antes de, por exemplo, acender um palito de f�sforo entre os dedos do p� de um suspeito. E quando foi atingido pessoalmente, como no caso do rapto de seu filho ou do assassinato de sua mulher, sua vingan�a foi terr�vel. Assim, Tex sempre antep�e a Justi�a �s Leis do estado. Contudo, j� h� tempos Tex estabeleceu sua linha de a��o nos confrontos com os criminosos: deixar escapar os peixes pequenos para poder enjaular ou enterrar (se acontece) os mandantes, os criminosos de luvas brancas. Em suma, mais que os singelos ladr�es e assassinos, Tex odeia aqueles que os manobram. Rancheros, especuladores, pol�ticos, etc., s�o o alvo preferido de Tex.
- Quem escreve as hist�rias de Tex?
No in�cio � G.L.Bonelli. Roteirista e romancista, detinha longa carreira quando come�ou a escrever Tex. Tex n�o foi sua �ltima cria��o, houve tamb�m Os tr�s Bill, Yuma Kid e tantos outros personagens. G.L.Bonelli atingiu a plena maturidade art�stica de Tex com o in�cio da publica��o dos in�ditos em Tex Gigante. Esse per�odo (fim dos anos 60 � metade dos 70) � unanimemente considerado o melhor de Tex. Em 1976 surge o filho Sergio (sem assinar a hist�ria), que escrever� diversas aventuras de Tex, sem poder dedicar-se inteiramente, em raz�o de suas fun��es de editor. O verdadeiro sucesso chega com a estr�ia de Claudio Nizzi, em 1983. Ao cabo de poucos anos, Nizzi substitui o principal roteirista, G.L.Bonelli. Nos �ltimos anos se tenta novamente a cartada da substitui��o, com a estr�ia de Decio Canzio (diretor geral da Casa Editora e, no passado, roteirista de diversas s�ries), Mauro Boselli, Michele Medda. Desses, restar� por enquanto apenas Mauro Boselli, com v�rias �timas hist�rias j� publicadas. Ocasionais s�o as interven��es de Giancarlo Berardi em 1991 e Antonio Segura em 1997, com ambas hist�rias publicadas fora da s�rie regular. Vejam a mat�ria italiana Index degli Sceneggiatori.
- Quem desenha as hist�rias de Tex?
Por muitos anos Galep carregou o piano. Mais tarde, diversos desenhistas lhe deram uma m�o, mais ou menos ocasionalmente. O mais velho que ainda atua � Guglielmo Letteri, surgido em 1966. Depois, um dos mais amados pelos leitores: Giovanni Ticci, operando desde 1968. E assim foi com os demais, dentre eles o saudoso Erio Nicol�, Ferdinando Fusco, Vincenzo Monti, e os mais recentes Fabio Civitelli, Claudio Villa, Carlo Marcello. E a rela��o n�o termina aqui. Vejam a mat�ria italiana Index dei Disegnatori.
- Por que tantos desenhistas se, no in�cio, Galep fazia tudo sozinho?
No in�cio Galep mantinha de p� duas s�ries: Occhio Cupo e Tex, ainda que trabalhasse at� � noite. Depois, apenas Tex, mas ainda assim sua carga era enorme. Depois de v�rios anos, uma doen�a de Galep abriu os olhos de todos, evidenciando a necessidade de uma equipe de desenhistas. Ademais, obrigado a desenhar tudo sozinho, Galep n�o tinha tempo nem modo de usar toda sua capacidade, reservando-a apenas para as capas. Basta uma olhada nas hist�rias desenhadas por Galep nos anos sessenta-setenta, quando contava v�rios desenhistas a seu lado, para se notar que, em rela��o ao in�cio, seu tra�o � muito mais apurado.
- Qual � a mais longa hist�ria de Tex j� publicada?
A aventura �Retorno a Pilares�, escrita por Nolitta e desenhada por Letteri. S�o 586 pranchas para a mais longa hist�ria, n�o apenas de Tex, mas de toda a Bonelli.
- Quantos �lbuns coloridos foram publicados?
Quatro, na s�rie regular. Os n.100, 200, 300 e 400. Depois, a reedi��o da hist�ria �Vale da Lua�, inserida em Sabato, e os encadernados da Mondadori que reeditam algumas das mais belas aventuras de Tex em grande formato a cores. Por �ltimo, algumas iniciativas amador�sticas da ANAFI e da Editoriale Mercuri. Aos in�ditos � de se juntar a hist�ria fora-de-s�rie publicada na Specchio em 1998: �O duelo�.
- Tex j� se encontrou com outros personagens da Bonelli?
N�o. Ainda que alguns o tenham visto em a��o ou tenham ouvido falar dele. Particularmente em Ken Parker n.15, �Homens, feras e her�is�, Ken presencia os quatro pards em a��o (numa briga). Zagor, no n.357, ouve uma profecia sobre um grande chefe branco que proteger� do mal a na��o Navajo. Sobre os v�rios team-up bonellianos, leiam um artigo pr�prio na uBC.
- Como pode a s�rie de Tex ter 50 anos se, com 450 �lbuns mensais, chega-se a 1960?
Porque antes de chegar �s bancas o n.1 da s�rie atual, as aventuras come�aram a sair em Setembro de 1948 com as pequenas edi��es em tiras. Em seguida, foram reunidos os encalhes das revistinhas nos assim chamados �almanaquinhos�. Depois, houve a primeira reedi��o com os �lbuns de Ouro. Os encalhes desses �lbuns foram reunidos numa experi�ncia de 29 n�meros que constituiu a assim chamada 1� s�rie Gigante. E apenas em 1958 teve in�cio a 2� s�rie Gigante (atualmente nas bancas), com o n.1. As primeiras edi��es n�o eram mensais, e isso justifica a numera��o atual. Para maiores detalhes, vejam a mat�ria italiana Tex tutto di carta.
- Quantas foram as edi��es de Tex?
Limitando-nos � s�rie regular, essa foi toda ou em parte publicada nos �lbuns em tiras (depois os encalhes foram relan�ados nos almanaquinhos), mais tarde nos �lbuns de Ouro (os encalhes viraram a 1� s�rie Gigante), em seguida a 2� s�rie Gigante (atualmente nas bancas, com os in�ditos), a s�rie 3 Estrelas, o Tutto Tex e a Nuova Ristampa. No total (saltando os encalhes relan�ados) s�o 6 edi��es. Para maiores detalhes, vejam a mat�ria italiana Tex tutto di carta.
- Existem hist�rias fora-de-s�rie?
Sim. Para uma rela��o (provavelmente incompleta), vejam a mat�ria Tex tutto di carta.
- Por que Tex foi publicado em tiras?
O formato em tiras nasceu por iniciativa do editor Torelli. Uma das vantagens desse formato, naqueles anos, era o fato de ser facilmente manuse�vel e poder ser lido escondido (como muitos quadrinhos da �poca, era combatido pela moral que imperava). Somente com o triunfar do formato gigante, em seguida definido como bonelliano, a s�rie em tiras foi abandonada e as aventuras in�ditas continuaram na s�rie gigante a partir de 1968, n.95.
- Quantas s�o as capas de Tex?
973 capas em tiras + 333 capas dos almanaquinhos (no mesmo formato em tiras). 205 capas dos �lbuns de Ouro + 29 capas da 1� s�rie de Tex Gigante. J� chegamos a 1540, todas de Galep e quase todas in�ditas. H� tamb�m as mais de 450 de Tex Gigante publicadas at� agora. Galep, por�m, s� foi at� o n.400, enquanto que as posteriores s�o de Villa. Contudo, os primeiros n�meros de Tex Gigante (assim como muitos da 1� s�rie Gigante), n�o t�m a rigor capas in�ditas, pois que foram extra�das dos �lbuns de Ouro. A essas devemos tamb�m juntar as capas feitas para v�rias outras publica��es, para os encadernados, livros, edi��es estrangeiras, etc.
Em suma, podemos estimar as capas de Galep, apenas para Tex, em mais ou menos 2.000. Considerando tamb�m aquelas para edi��es estrangeiras, Claudio Villa j� deve ter passado de cem. Existem algumas n�o desenhadas por Galep e Villa, mas pelo desenhista da hist�ria. Como no caso dos Texoni, �lbuns especiais de grande formato, em que as capas s�o assinadas pelo pr�prio desenhista da hist�ria.
- Quem � o capista de Tex?
Galep desenhou quase todas as capas de Tex. No in�cio, inclusive as reedi��es (e sobretudo os almanaques com os encalhes!) traziam capas in�ditas. Depois, com o advento da 2� s�rie Gigante, a Casa Editora j� estava nas m�os de Sergio Bonelli, tanto editor quanto diretor de arte de uma reda��o extenuada. Para economizar tempo a Galep, as capas da 2� s�rie Gigante foram, inicialmente, extra�das dos �lbuns de Ouro e sofreram uma colagem semi-artesanal. Dessa forma, a rigor n�o s�o capas in�ditas. Uma outra caracter�stica introduzida por Bonelli � acentuar a figura do her�i nas capas, em preju�zo das figuras perif�ricas e do fundo. Muitas capas dos �lbuns de Ouro eram belas, tamb�m porque ocasionalmente n�o repetiam sempre o costumeiro Tex, mas davam import�ncia a outras figuras, tamb�m femininas. Em algumas delas Tex nem sequer aparece! A partir do n.401 da s�rie regular, o desenho das capas passa para Claudio Villa, digno sucessor de Galep. Triste particular: Galep morre pouco depois de ter assinado sua �ltima capa.
- De onde os autores tiram a inspira��o?
Dos filmes western, sem d�vida. Daqueles com Tom Mix, de atores como John Wayne e diretores como John Ford. Da literatura western, em particular dos livros publicados na Romantica Sonzogno, uma cole��o que marcou �poca naqueles anos. Dinamite e Satan podem descender do Fantasma de Lee Falk. �El Muerto� de Nolitta � uma clara homenagem aos spaghetti western de Sergio Leone. Em duas aventuras, Claudio Nizzi homenageia �No Tempo das Dilig�ncias�, a obra-prima de John Ford. E de tantas outras fontes. No conjunto, por�m, o universo Tex n�o � uma mera c�pia de trabalhos de terceiros. Ao contr�rio, constitui um mundo original, sa�do plenamente da fantasia de G.L.Bonelli.
- O sucesso de Tex foi imediato?
N�o. Nos anos cinq�enta, Tex chegou a vender 50.000 c�pias, enquanto Capit�o Miki e O grande Blek (da editora Dardo) atingiam 200.000. Somente com a 2� s�rie Gigante Tex voa mais alto. As principais raz�es s�o duas: o acertado formato, que vinha ao encontro das mudan�as exigidas pelo p�blico, e os roteiros de G.L.Bonelli, ent�o j� dominando o personagem, identificando-se plenamente. Muitas das mais belas hist�rias de Tex s�o do per�odo 100-200, logo ap�s as tiras.
- Por que algumas edi��es antigas t�m datas e pre�os diferentes?
Quando foi iniciada a en�sima reedi��o de Tex (a s�rie Gigante que atualmente traz os in�ditos), a tiragem inicial era naturalmente baixa. Esse formato, por�m, rapidamente se imp�s, vindo ao encontro da exig�ncia de �lbuns mais encorpados. Com isso, foi iniciada a reimpress�o dos n�meros esgotados. Note-se que as reedi��es foram quase imediatas, devido ao crescente sucesso. Limitando-nos ao n.1, originalmente publicado por volta do final de 1958 (n�o h� data impressa nos �lbuns originais), pode-se encontrar diferentes edi��es, nas feiras de quadrinhos. Basta notar a publicidade diferente na quarta capa (originalmente era uma chamada para �Um rapaz no Faroeste�), diferente endere�o da editora (a sede mudou justamente naqueles anos), diferente n�mero de registro. Em suma, de Tex n.1 com pre�o de capa de 200 liras, existem cerca de dez edi��es diferentes entre si, e n�o apenas pelos particulares citados acima, mas tamb�m por cortes da censura. Os anos passaram, come�ou a reedi��o das tr�s estrelas e todas as reimpress�es posteriores foram feitas na pr�pria s�rie tr�s estrelas (com a data de 1964), sem que elas aparecessem na lombada da capa. Depois de alguns anos, o pre�o dos �lbuns Bonelli aumentou. Mas as reedi��es n�o pararam, fazendo com que as novas apresentassem outro pre�o, diferente do original de 200�. Assim, al�m das edi��es originais, que j� eram v�rias, deve-se considerar as reimpress�es seguintes, que trazem na capa pre�os de 350� a 800� (per�odo 82-83).
- Por que se fala de censura em Tex?
Nos anos cinq�enta a It�lia era muito diferente de agora. Persistia uma moral de vis�o bastante estreita. Os quadrinhos eram considerados prejudiciais aos jovens. Para n�o nos prolongarmos, basta ver-se que as reimpress�es de Tex que come�aram a sair nos anos cinq�enta foram modificadas. Come�ou com os �lbuns de ouro, mas foi sobretudo com a edi��o definitiva (a atual s�rie Gigante) no final dos anos cinq�enta, in�cio dos sessentas, que a censura (interna da editora) modificou muitas hist�rias. Uma saia que ficou mais comprida, decotes apagados, mas sobretudo profundas modifica��es no linguajar de Tex (que ent�o era diferente, mais �grosso� que o de hoje).
- Houve algum referendum oficial sobre Tex?
Sim. Em 1981 (n.244) aparece na quarta capa de todos os �lbuns Bonelli da �poca, um referendum solicitado pela reda��o, para ouvir a opini�o dos leitores. O question�rio de Tex recebeu 17 mil cartas, cujas respostas foram publicadas em Tex 264. O referendum concluiu:
1) Cite os t�tulos de pelo menos tr�s �lbuns de Tex que lhe agradaram nos �ltimos cinco anos.
- Tex 200, El Muerto, A pir�mide misteriosa, Sombras do Passado, O sinal de Cruzado, Sasquatch.
2) Cite os t�tulos de pelo menos tr�s �lbuns de Tex que lhe decepcionaram nos �ltimos cinco anos.
- Sombras do Passado, Sasquatch, O cl� dos cubanos, Os dois rivais, A pir�mide misteriosa, O cowboy sem nome.
3) Entre os personagens das hist�rias de Tex, amigos ou inimigos, quais gostaria de ver mais vezes?
- Mefisto, Pat McRyan, El Morisco, Yama, Jim Brandon, Tiger Jack, Gros Jean, Kit Carson, Kit Willer, Montales e Cochise.
4) Al�m de Tex, editamos Zagor, Mister No, O Pequeno Ranger, Comandante Mark e Ken Parker. � exce��o de Tex, quais s�o seus her�is preferidos? Qual n�o lhe interessa? Por que?
- Interessantes: Zagor, Mark, Mister No. Desinteressantes: Ken Parker, Mister No, O Pequeno Ranger.
5) Caso desej�ssemos iniciar uma nova s�rie de aventuras em quadrinhos, voc� preferiria western, fic��o cient�fica ou g�nero policial? Ou outro?
- Western em primeiro lugar, fic��o cient�fica, policial. Muito atr�s, guerra, aventura em geral, c�mico.
6) Se, al�m do costumeiro n�mero de p�ginas, num dos pr�ximos �lbuns houvesse p�ginas a mais dedicadas � publicidade, voc� continuaria satisfeito?
- Venceu o sim por muito pouco, mas sempre condicionado. O n�o, ao contr�rio, foi decidido e absoluto.
- De onde v�m os proventos de Tex?
Como chefe dos Navajos, Tex � o guardi�o e propriet�rio do ouro das montanhas Navajo. Esse ouro o deixa rico (quando necessita de dinheiro, n�o hesita em gast�-lo), embora se aproveite disso apenas nos momentos dif�ceis. Diversas aventuras foram constru�das sobre essa tentadora presa. Em particular, uma das melhores hist�rias de Tex: �A grande intriga�, n.141/145, desenhada pelo excelente Nicol�.
- Kit Carson existiu realmente?
Sim. Kit Carson � um dos personagens mais famosos do Oeste, muito embora G.L.Bonelli n�o se tenha apegado tanto ao personagem real quanto ao Kit Carson de Rino Albertarelli, HQ italiana dos anos 30. O personagem real foi por muito tempo considerado um amigo pelos �ndios e apelidado �Atirador de la�o�. Foi tamb�m companheiro e marido de duas �ndias, antes de casar-se com uma mexicana. Por�m, quando os Navajos se rebelaram, Carson foi um dos protagonistas de sua derrota. Particularmente contra os Navajos, foi guia e batedor da Cavalaria, comandante de tropas irregulares e respons�vel por diversos ataques e destrui��o daquilo que os Navajos tinham de mais caro: agricultura e pastos.
�ltima nota: quando G.L.Bonelli visitou pela primeira vez o sudoeste americano, com os filhos, ficou bastante desiludido com a pequena cama (sinal de um homem muito diferente daquele que imaginava) presente na casa (conservada ainda hoje) de Kit Carson.
- Por que muitas hist�rias dos velhos �lbuns de Tex n�o eram assinadas?
Para os leitores, por muito tempo Tex significou: �text by G.L.Bonelli� e desenhos de Galep. O editor era t�o ciente disso que, temeroso de rea��es, n�o assinalava corretamente os cr�ditos nas velhas edi��es. Isso at� o in�cio dos anos 80, quando Nizzi �se imp�s�, pretendendo (justamente) a indica��o de seu nome como autor da hist�ria. A correta indica��o do nome do desenhista precedeu de alguns anos aquela do roteirista. As reedi��es (a partir de TuttoTex) trazem os nomes corretos.
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